Normalmente, não sou grande defensor de receitas que envolvem apenas montagem (sou chatinho, quanto a isso), mas meus conceitos têm mudado bastante. Também porque, com uma receita desenvolvida diretamente pelo mestre Escoffier, acho que as chances de erro se reduzem drasticamente.
Um pouco antes de 1900, ainda chefe da cozinha do Savoy Hotel, em Londres, Escoffier criou uma combinação especialmente feita para a Srta. Nellie Melba, cantora de Ópera, utilizando suas frutas preferidas, pêssegos e framboesas, e sorvete de baunilha. Servido em um grande cisne esculpido em gelo, foi um grande sucesso, na época. Nessa sobremesa, pêssegos em calda eram colocados sobre uma cama de sorvete de creme, e cobertos com purê de framboesas e lascas de amêndoas. Era criado o Pêssego Melba.
Rigoroso com seus métodos, também foi criada uma versão alternativa, que usaria morangos, frescos ou em compota, enriquecido com uma dose de kirsch. Porém, nesse caso, devido às mudanças, o nome passou a ser Pêssego Cardeal.
Essa história, eu adaptei d’O Livro da Cozinha Clássica, de Sílvio Lancelotti.
Como framboesas são especialmente caras, por aqui, acabei cedendo à versão do Cardeal, e ainda tive que adaptar. Usei uma boa geléia de morangos, uma dose de Brandy, e pêssegos em calda caseiros.
Pêssego Cardeal
1 porção
2 bolas de sorvete de baunilha
2 metades de pêssego em calda
1 colher de sopa de geléia de morangos
1/2 colher de sopa de Brandy (kirsch também vai bem)
1 colher de sopa de amêndoas laminadas, levemente torradas
Num prato de sobremesa, ou taça larga, coloque as bolas de sorvete.
Acomode sobre o sorvete as duas metades do pêssego em calda.
Numa tigelinha, combine a geléia e a bebida, e despeje a mistura sobre os pêssegos e sorvete.
Por fim, jogue as lascas de amêndoas (no meu caso, usei amêndoas picadas) sobre a sobremesa e sirva imediatamente!

